sábado, 21 de março de 2009

UM HOMEM DE MIL FACES

Sérgio com o 21° Prêmio Shell - Foto Mayna Nabuco

“Um ideal sempre marcou a minha vida. Eu sempre quis fazer o melhor”, confessa o ator e apresentador, Sérgio Britto. Esta busca pela perfeição lhe rendeu no último dia 10 de março o 21° Prêmio Shell de Teatro RJ, na categoria melhor ator. A premiação recebida aos 85 anos, 63 deles dedicados a arte, foi pela sua atuação na peça “A última gravação de Krapp e Ato sem palavras I”, de Samuel Beckett.

Antes de seguir a carreira artística, Sérgio se formou em Medicina, em 2 de janeiro de 1948. Na medicina o que lhe interessava era o lado humano, poder ajudar as pessoas. “O lado científico não tinha nada a ver comigo. Eu não suportava estudar medicina, química, física, biologia”, revela. Quatro dias depois da formatura, Sérgio Pedro Corrêa de Britto estreou sua primeira peça ao lado de Sérgio Cardoso, no teatro dos estudantes, Pascoal Carlos Magno. Seu personagem era Horácio, do clássico Hamlet de Willian Shakespeare. “Eu dizia a minha família e a todo mundo que fazia teatro de brincadeira”, contou Sérgio.

Com o primeiro espetáculo, ele viajou para São Paulo, Santos e Campinas, onde recebeu a visita do seu pai que lhe perguntou quais eram suas intenções profissionais, já que havia largado o curso no Rio de Janeiro de especialização em Pediatria para atuar. “Meu pai era maravilhoso e me ajudou a tomar uma decisão. No dia seguinte de manhã eu disse, papai não sei o que isso significa, mas eu estudei medicina e agora eu sei o porquê. Porque vocês queriam, eu nunca quis”, relatou o ator. E assim, surgiu a verdadeira vocação de um dos ícones do teatro brasileiro.

Mesmo acreditando não ter talento para atuar, Sérgio resolveu tentar e descobriu no teatro seu lugar. “A minha vida é teatro”, assumiu ele. Em 1949, fundou, com Sérgio Cardoso, o Teatro dos Doze, que durou um ano. “O dinheiro acabou e a companhia também”, relembra. Foi convidado em 1950, por Ruggero Jacobbi, que trabalhava com Madalena Nicoll a ir para São Paulo, onde residiu por dez anos.

Em 1953 participou da primeira peça profissional no Teatro de Arena. No Teatro Brasileiro de Comédia fazia um espetáculo por semana. Em nove anos encenou 400 produções. A experiência adquirida com o grande teatro, fez com que em 1959 fundasse o Teatro dos Sete, com Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Ítalo Rosssi e o diretor Gianni Ratto. O primeiro espetáculo foi Mambembe, de Artur Azevedo. “É uma peça que até hoje me traz lembranças fortes”, afirma o ator. Sérgio Britto nunca pensou no teatro como um jeito de ganhar dinheiro e sempre escolheu atuar em peças que considerava de qualidade. “O curioso é que apesar de não pensar em dinheiro, eu vivi o tempo todo com o dinheiro do teatro. O teatro te compensa”, avaliou.

Em 1998, Sérgio Britto estreou “Diário de Teatro”, que permaneceu na grade de programação até 2000. O diretor da emissora na época era Fernando Barbosa Lima a quem Sérgio apresentou o projeto. Inicialmente o programa era focado somente em teatro, mas com a reformulação outros assuntos como livros, música e cinema também foram contemplados. Em 2001, ele voltou com o seu atual nome, “Arte com Sérgio Britto”. “Eu gosto muito de fazer o programa, aliás tudo o que eu faço eu gosto de fazer, senão eu não faria”, diz Sérgio.

9 Comments:

  1. Carioca said...
    ha de se apreciar comecos tardios!
    =D

    http://raciocinioquebrado.blogspot.com/
    Marcelo A. said...
    Tive a honra de assistir sua peça "Sérgio 80" e me deliciar com suas histórias...

    Grande astro!

    Me visita:

    www.marcelo-antunes.blogspot.com

    Sucesso!
    Vanda said...
    Nunca assisti nenhuma peça, apenas conheço pela televisão!
    Millena Moderadora said...
    Parabéns pelo blog.
    Criativo e inteligente.
    Se puder,visite o meu.
    TE CUIDA!
    BOM DOMINGO PRA TI!
    IUEP - Parada de Lucas said...
    Miss Mayna
    Tudo bem?!
    Meu blog está completando um ano no ar e criei um selo comemorativo para os amigos
    Vai lá e pegue o seu
    Você faz parte disso!
    jcdigital said...
    Nunca ouvi falar dele, quer dizer, só agora.

    ;)
    Groo said...
    O que eu acho mais interessante na trajetória de grandes ícones como o Sérgio Britto é que eles acabam se formando em alguma profissão que nada ou pouco tem a ver com artes. Drummond foi assim. E tantos outros que se fosse citar encheria este box de comentários.

    Felizmente, eles não abandonaram as artes. Felizmente. O país pode ter perdido um grande médico, mas ganhou um excelente ator.

    abs!

    E vote no groo :D
    Junior said...
    Legal o blog
    gostei
    principalmente o layout
    Inez said...
    Parabéns pelo post. Sérgio Brito é um dos grandes expoentes do teatro brasileiro.

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